sentido

29 Set
29 Setembro, 1999

Não sei de onde efectuei esta tradução. Tinha isto na pasta antiga.portaviii.tempo (29.09.1999). Lembro-me que era de uma página sobre Maurice Maeterlinck(?)

O que é da vida vivida por entes sofredores que se movem no mistério de uma noite. Eles nada mais sabem que sofrer, sorrir, amar; quando desejam compreender, o esforço da sua inquietude transforma-se em angústia e a sua revolta se esvai.
Incitar, incitar sempre caminhadas preguiçosas do calvário que terminam dolorosamente em frente a uma porta de aço fria e cruel.
Tempos idos o sentido da vida era conhecido; agora os homens não ignoram que o essencial, pois sabem qual o fim da viagem e em que estalagem se encontra o leito de repouso.
Quando a ciência, a mais elementar, elevada, divinizada, julga aligeirar os fardos e uns se alegram; outros lamentam-se, sentem bem que de todos os fardos um foi ignorado: o fardo da dúvida. E só esse é o mais pesado de todos.
No meio de toda essa angústia existe uma ilha e na ilha existe um castelo, e no castelo há uma sala enorme iluminada apenas por uma pequena vela, e na grande sala estão pessoas que esperam. Esperam o quê? Não o sabem. Esperam que batam à porta, elas esperam que a vela se apague, elas esperam o Medo, elas esperam la Mort. Elas falam; sim, elas dizem palavras que perturbam um instante do silêncio, depois elas escutam novamente. Elas escutam e esperam. Ela não virá, talvez? Ela virá certamente. Ela vem sempre. Hoje é tarde virá, talvez, só amanhã. As pessoas na sala enorme esperam e sorriem. Alguém bate. E é tudo; é toda uma vida, é toda a vida.

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