maurice polydore-marie-bernard maeterlinck

12 Nov
12 Novembro, 2006

a vida das abelhas

Maurice Polydore-Marie-Bernard Maeterlinck [29.08.1862 (Gand) – 06.05.1949 (Nice)] autor dramático, poeta e filósofo ensaísta belga de língua francesa que em 1911 recebeu o prémio Nobel da Literatura.

O seu nascimento ocorre no seio de uma próspera família. Seu pai, Polydor Maeterlinck, era um notário reformado e sua mãe, Mathilde (Van den Bossche) Maeterlinck era a filha de um advogado influente. Maurice Maeterlinck frequentou o colégio jesuíta de Ste.-Barge e ficou interessado em poesia na sua juventude. A sua família não aceitava os seus devaneios com a poesia e foi obrigado a estudar direito para na Universidade de Ghent.
Depois da sua graduação continuou os seus estudos em Paris. Aí conheceu o poeta simbolista Stéphane Mallarmé e Villiers de l’Isle-Adam.
A sua colaboração em revistas “d’avant-garde” provocou a interrupção de sua carreira de advogado.

Em 1889, publica o seu primeiro livro de poemas intitulado “Les Cherres Chaudes”, e revela o seu gosto pela mistura de elementos decadentes e simbólicos. Cria uma atmosfera metafísica.
Esta atmosfera caracteriza toda a sua obra.
No mesmo ano produz, também, a sua primeira peça de teatro “La Princesse Maleine” que dá origem a um artigo entusiástico no Figaro por d’ Octave Mirbeau e o reconhecimento do público. As obras sucedem-se: “L’ Intruse” (1890), “Les Aveugles” (1890), “Pelléas et Mélisande” (1892), “Alladines et Palomides” (1894), “Intérieur” (1894), “La Mort de Tintagiles” (1894). Debussy utiliza a “Pelléas et Mélisande” como um libreto para a sua opera com o mesmo nome.

Em 1895 Maeterlinck conhece Georgette Leblanc, actriz e cantora de opera. Irmã de Maurice Leblanc criador do famoso cavalheiro criminoso Arsène Lupin. Apesar de não conseguir obter o divórcio de seu marido espanhol, vivem juntos os próximos 23 anos. Escreve para ela várias peças: “Aglavaine et Sélysette” (1896), “Ariane et Barbe-Bleue” (1901), “Monna Vanna” (1902).
Seguem-se “Soeur Béatrice” (1904), “Le Miracle de Saint-Antoine”(1904), “L’Oiseau Bleu”(1908), a sua peça mais famosa, colocada em cena inicialmente por Konstantin Stanislavski no Teatro de Arte de Moscovo, é uma alegoria fantástica desenvolvida como uma peça para crianças, que já foi traduzida em diversas línguas e adaptada também ao cinema – 1940 com Shirley Temple de Walter Lange e 1976 com Elisabeth Taylor, Jane Fonda de George Cukor. “L’Oiseau Bleu” retrata a história de duas crianças, filhas de um pobre lenhador, que adormecem após um desgostoso Natal – Mytyl e Tyltyl. Sonham com a fada Berylune que lhes pede para encontrarem a “ave que é azul”. Elas iniciam a sua viagem com um diamante que lhes permite ver as almas dos objectos que os rodeiam. Visitam a Terra da Memória. Na floresta são atacadas por animais e árvores mas o fiel cão salva a vida de Tyltyl. A jornada continua através do Palácio da Felicidade e do Reino do Futuro antes do regresso a casa para serem acordados pela mãe. A vizinha Berlingot (a fada Berylune) suplica à pequena ave de Tyltyl pelo seu filho moribundo e Tyltyl repara que a ave é azul e é aquela que estavam à procura. A criança recupera, mas a ave foge e a criança pede à audiência para a devolver.

o pássaro azul

Escreve “Marie Magdeleine” (1909) e outras peças de menor importância.
À medida que o seu interesse pelo teatro esmorece elas tornam-se cada vez mais raras.

Em 1896 Maeterlinck muda-se com Leblanc para Paris. Dedica-se à escrita de ensaios filosóficos e científicos de tendências metafísicas e metapsiquicas. Surgem, assim, “Le trésor des humbles” (1896), “La sagesse et la destinée” (1898). “La Vie des abeilles” (1901), que conheceu o sucesso no mundo inteiro, desenha analogias entre a actividade das abelhas e o comportamento humano. A apicultura foi um hobby desde a sua juventude.
Nesses ensaios afasta-se do negativismo de Schopenhaur para um optimismo mais moderado.
Segundo Maeterlinck é possível para o ser humano alterar o seu destino se assim o desejar. O ser humano é duplo: tanto vive uma existência interior como exterior.
Escreve “L’ Intelligence des fleurs” (1907), “L’ Hôte inconnu” (1917), “La Vie des termites” (1926), compara os sistemas totalitários com a vida das térmitas e, “La Vie des fourmis” (1930).

Durante a 1ª Grande Guerra Mundial defende a causa dos aliados na Europa e nos Estados Unidos. A sua relação com Leblanc termina e em 1919 casa com Renée Dahon, que tinha actuado na peça “L’Oiseau Bleu”. Vivem fora de Paris no Château de Médan, mas o inverno é passado numa villa perto de Nice apelidada Les Abeilles.

Na véspera da 2ª Grande Guerra Mundial vai para Portugal sobre a protecção de António Salazar e voa depois para os Estados Unidos. Os anos entre as guerras foram difíceis. Os seus trabalhos foram ignorados e não tinha a possibilidade de receber royalties das vendas dos seus livros na Europa. Em 1947 volta a Nice.

Publica em 1948 uma última obra de carácter biográfico, “Bulles bleues”.

Maeterlinck morre na sequência de um ataque de coração em 06.05.1949. Foi enterrado, de acordo com a visão do seu mundo agnóstico, sem cerimónias religiosas.


mais info em http://www.kirjasto.sci.fi/maeterli.htm

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