a voz dos mortos

31 Dez
31 Dezembro, 2008

– Os ossos são duros e, por si sós, parecem mortos e rochosos, mas ao envolvê-los e puxá-los para junto do esqueleto, o resto do corpo executa todas as actividades da vida.[1]

“A Voz dos Mortos” é uma obra maior da ficção científica, tendo merecido a Orson Scott Card os prémios Nebula (1986) e Hugo (1987). O autor continua aqui a narrativa épica iniciada em “O Jogo Final”. Desta vez, a humanidade prospera, colonizou já vários planetas e apenas sofre com a consciência de ter exterminado a única outra espécie inteligente conhecida, os insectóides. O nome de Ender, antes aclamado como salvador da espécie humana, tornou-se sinónimo de mal absoluto. Mas ter-se-á realmente aprendido com os erros do passado? A descoberta de um outro povo alienígena, os pequeninos, vem testar o verdadeiro significado da tolerância humana e Ender, porta-voz dos Mortos, poderá ter ainda uma palavra a dizer. Extraordinariamente bem construído, o universo de Ender abrange questões antropológicas, filosóficas e religiosas para revelar um cenário a um tempo cativante e terrível, descrevendo com mestria a complexidade das reacções do ser humano quando confrontado com o que lhe é estranho: numa outra cidade, num outro país…ou a milhares de anos-luz no espaço.


[1] A Voz dos Mortos, Orson Scott Card
Editorial Presença
Colecção Viajantes no Tempo
página 160

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