zona fantástica

13 Mar
13 Março, 2010

Dia 11 (quinta-feira) consulta médica no Porto. Carro estacionado no NorteShopping. Metro até à estação da Trindade. À saída viro à esquerda e subo a Rua do Bonjardim, à procura do n.º 505 – Livraria Central Comics. A porta, fechada, é-me aberta por uma presença feminina – bom sinal, detesto levar nos olhos quando entro, apesar de raramente, em lojas especializadas, com um Jeff Albertson.

Até ontem já tinha lido o nome Central Comics, sobre a loja falarei noutro post, em blogs e em comentários em blogs – que redundância – mas nunca associei que seria uma loja especializada em banda desenhada (BD) e muito menos existente no Porto; faço este reparo para se perceber um pouco o meu alheamento.

Até ao último festival Internacional de Banda Desenhada do Porto tinha um contacto constante com o universo de (BD). Recordo-me de que no último festival levei o meu fiho e um casal amigo – o meu filho divertiu-se imenso com a exposição temática sobre Gaston Lagaffe e eu diverti-me com ele e com o pulsar do salão, das exposições, das compras. Após isso afastei-me? da BD e as compras eram sempre álbuns dos “velhos” autores e mangá – muita mangá.

Não tendo uma BDteca invejável tenho uma BDteca considerável cheia do que eu chamo os meus “velhos” autores. “A Balada do Mar Salgado” e “Silêncio” editados pela Bertrand, entre outros, foram o trampolim para outras alturas; algumas edições em francês, são-me queridas como “Un Été Indien”, “La Marque de la Sorcière” e “Starwatcher”; “Os Olhos do Gato”, da editora brasileira Martins Fontes e “Eternus 9: Um Filho do Cosmos” de Victor Mesquita também têm o seu devido destaque, sem esquecer alguns álbuns assinados pela dupla Schuiten e Peeters e por Miguelanxo Prado.

Apesar do meu amigo p. (creio que esta palavra da minha parte faz sentido) saber deste meu novo poiso, relaxado como é, ainda não deve ter actualizado o RSS e por isso arrisco-me a dizer que a única loucura que cometi foi ter-lhe oferecido da minha BDteca, tendo em conta que detesta ler exceptuando livros com muitos desenhos, a minha colecção “Torpedo 1936”.

Quando descobri que “Os Passageiros do Vento” iam ter um novo? final? comecei novas investigações e encontrei excelentes blogs sobre banda desenhada.

Na sequência da resposta à minha pergunta “Vou ao Porto a uma consulta no dia 11 e vou experimentar a Central Comics. O que me dizem?” desloquei-me logo que saí na Trindade à Central Comics e comprei apenas, porque não sabia o que ia encontrar?, “Zona Fantástica”, “As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy” e “Zona 0” – “Hagar 1” foi uma compra extra.

O resultado da compra foi obrigar-me a colocar de lado os livros, “Suite no Hotel Crystal” e “Os Prazeres do Ócio”, que levei para ler enquanto esperava pela minha consulta, e mergulhar no “Zona Fantástica”. E escrevi este longo texto obsessivamente cheio de pormenores para chegar a esta parte da história: a leitura do “Zona Fantástica”.

“Zona Fantástica” tem de tudo para ser uma edição que servirá de referência a projectos futuros.
Deve ter sido uma tarefa árdua a organização de todo o material que foi escolhido e “posto de lado” para que esta “Zona” seja uma BD no seu conjunto “Fantástica”. E só isso merece desde já o meu clamoroso aplauso, mas ainda ser oferecida BD em 80 páginas de grande qualidade gráfica e excelente paginação nas quais estão representados 34 autores é de exclamar um bom uau!

Se há autores que se movimentam bem em histórias curtas, outros demonstram alguma inexperiência? dificuldade? (não os conheço suficientemente bem para clarificar o motivo) na narração; e sem dúvida que pode ser mais difícil para alguns autores criar uma história de 3 pranchas – onde tudo tem de ser dito ou em que a conclusão fica dependente da nossa leitura – do que criar um álbum de 80 pranchas.

A vantagem de ser um outsider do circulo de BD nacional, não sou amigo, colega, ou remotamente conhecido de algum dos autores e portanto não sofro do pecado de-dizer-bem-do-teu-trabalho, para-dizeres-bem-do-meu, é que posso dar-me ao luxo, nem sofreria desse “pecado” mesmo que fosse um, digamos insider, – é um dos meus problemas, a sinceridade acutilante – de ser verdadeiro nas minhas opiniões sobre os trabalhos individuais após enaltecer o trabalho colectivo. E numa critica espontânea limito-me a dizer que, como gosto de Stoa porque sim, e não gosto de fanecas porque não, há histórias que adorei porque têm uma cor, uma textura, um estrutura narrativa que se aproxima do que sempre apreciei em BD, outras reconhecendo a qualidade do argumento e do desenho não me tocaram em especial. Adorei mais ver as ilustrações de Eduardo Monteiro, por exemplo, mas apenas porque sempre adorei ilustrações “mecanicistas”, mas tenho de referir, igualmente, que a ilustração (pág. 38) de Joana Afonso é simplesmente delirante.
De uma forma geral é a verdadeira qualidade dos valores individuais que tornam o colectivo excelente. A escolha dos melhores? trabalhos do meu ponto de vista tem sempre a ver com o nosso gosto pessoal.

Foram umas boas leituras.
O meu obrigado a todos os que tornaram possível ter na minhas mãos uma BD Fantástica!

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