Archive for category: soltos

fujam, vem aí a saúde

22 Set
22 Setembro, 2017

Após entrar no parque da cidade de Barcelos fui ultrapassado por algumas pessoas que fugiam esbaforidas, suadas, coradas. Uma chocou contra mim. Aproveitei e perguntei-lhe a razão daquela correria. ‘Ora essa, é por causa da Saúde,’ respondeu com um ar de surpresa, tresmalhado com ofensa. Olhei por cima dos ombro e vislumbrei mais pessoas a fugirem. Não vi nada parecido com a Saúde. Não obstante, com algum receio iniciei a fuga.

esquinas nas cidades

26 Ago
26 Agosto, 2017

Há pessoas que não gostam de esquinas nas cidades. Existe outro tipo de esquinas, mas aqui e agora apenas falarei das esquinas das cidades: grandes ou pequenas, sujas ou limpas, luminosas ou escuras. Eu adoro uma bom ângulo de rua. Deve ser uma das melhores coisas que há nas cidades. Uma esquina tem algo de mágico, de perturbador, de enganador. É na esquina que acontecem reencontros surpreendentemente bons ou amaldiçoadamente maus, despedidas doces e amargas, choques e colisões, emoções e convulsões. Sem esquinas só existiriam rectas longas e obtusamente infinitas, aborrecidas.
Além de que numa recta nunca conseguiria me esgueirar, mas numa esquina isso é possível e logo ali ao virar da esquina – onde estou? fugi.

knock knock

19 Mai
19 Maio, 2017

Knock knock.
Who’s there?
Your smile.

tic tac

18 Mai
18 Maio, 2017

The clock did TIC TAC.
The bell made DING DONG.
James Joyce did tattarrattat – but I didn’t open the door.

junk food

15 Mai
15 Maio, 2017

‘You only eat junk food.’
‘Who? When? Where? I just ate a slice of orange… I swear by the chips.’

acordo todos os dias com o arrulhar de uma pomba

25 Abr
25 Abril, 2017

Acordo todos os dias com o arrulhar de uma pomba.
Anseio, apenas uma vez, sonhar com uma espingarda para libertar a ave do seu conformismo. Sonho matar o acordar e ficar a sonhar liberdade.

há noites…

20 Fev
20 Fevereiro, 2017

Há noites em que sonho com os meus mortos; aí vivem através de mim e nesses momentos inventamos novas alegrias que, contudo, se desvanecem no acordar. Acordo sempre com mais vontade de sonhar.

ai.. toc! toc!

20 Jan
20 Janeiro, 2017

Ao escrever isto sou um escritor. Se a algum momento decidir eliminar o que está escrito serei um assassino. Se, entretanto, não alterar nada do que já está escrito serei um conformista. Ao colocar tantas questões estarei a ser herético?

TOC! TOC!

sombria

19 Jan
19 Janeiro, 2017

Era uma casa tão sombria, mas tão, tão sombria que quando os raios do sol a decidiam acariciar já era noite.

toda ela é rabisco

16 Jan
16 Janeiro, 2017

E com isto violei a página branca. Agora toda ela é rabisco.